Edgar Carvalho
edgar carvalho
Edgar Carvalho
A FOME NO MUNDO E O MUNDO DO FUTEBOL
As palavras (F)ome e (F)utebol apenas têm em comum iniciarem-se pela mesma letra!
Afinal são perfeitos antónimos neste mundo de contradições, egoísta e violento.
Hoje é comum termos imagens de fome, de miséria, de morte e ao lado, nos ecrãs e nos média do desporto, vermos a multimilionária indústria do futebol com as megas transferências de jogadores de outras galáxias como os Zidanes, os Beckams, os Kákás, os Messis e os Ronaldos!
A mais recente, a mais cara de sempre, foi a do “puto” português, Cristiano Ronaldo que se transferiu do Manchester United para o Real Madrid por 93 milhões de euros!
Uma verba correspondente a 25 euros por minuto, 36 mil euros por dia e 1 milhão e oitenta mil euros por mês! Uma verdadeira loucura!
Vivemos numa sociedade injusta, onde os contrastes são aberrantes! Uma sociedade com milhões de pessoas a morrerem à fome, com povos em constantes conflitos, a viverem em permanente sofrimento… O número de pobres não pára de crescer e já atinge 310 milhões de pessoas no Globo! Mais de 950 milhões passam fome nos quatro cantos do Mundo!
De acordo com o Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), em algumas regiões do Planeta, principalmente em África, grande parte da população tem um consumo diário de apenas 50 cêntimos do dólar.
800 milhões de pessoas que sofrem de fome estão em países da Ásia e da África.
Quarenta por cento da população mundial vive em pobreza e em cada 3,5 segundos morre uma criança de fome e 25 mil pessoas por dia no Mundo!
Do outro lado da barricada, o FUTEBOL, com jogadores sem cultura, mas predestinados para este desporto que arrasta multidões, vai vivendo destas jogadas, com empresários e presidentes de clubes em manobras de bastidores, servindo-se do marketing publicitário, apenas para alimentarem o ego dos milhões de fanáticos espalhados pelos cinco continentes, muitos a passarem fome, mas dispostos a alimentarem-se de ilusões!...
Não há leis, não existe força nem vontade dos responsáveis máximos do futebol, mas há interesses que movimentam milhões de euros e são distribuídos pela máquina trituradora que é a indústria do Futebol!
Esta dicotomia Fome/Futebol é bem o exemplo da falta de solidariedade à escala planetária, onde os países mais poderosos apenas estão interessados em defenderem os seus planos, desenvolverem as suas estratégias e continuarem a dominar os países menos desenvolvidos numa total dependência e exploração económica e social!
Só assim é possível continuarmos a ver povos a arrastarem-se na lama da miséria, crianças e idosos a vegetarem em total abandono e milhões a sobreviverem sem qualquer dignidade humana!
A luta pela solidariedade internacional contra a fome é uma cruzada que compete a todos, mas principalmente aos Países mais ricos, ao chamado grupo do G8 e aos Americanos!
È importante sensibilizar os Estados, as Instituições Civis e as populações de todo o Mundo para a necessidade urgente de acabar com esta miserável distorção, onde um só Jogador de Futebol ganha por mês uma quantia que dava para alimentar 8,6 milhões de etíopes!
NÃO Á FOME!
COMBATAMOS OS EXAGEROS DO FUTEBOL!
Edgar de Carvalho
AMBIENTE SAUDÁVEL É MAIS VIDA!
2009 é o Ano Internacional das Fibras Naturais, como complemento de uma vida saudável!
A FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação observa que um dos objectivos é criar uma maior consciência e estimular a demanda pelo uso das fibras naturais. A utilização e consumo de mais fibras naturais dependem de um melhor ambiente e um maior conhecimento da vida da natureza!
Mais espaços verdes, mais reservas naturais, despoluição dos rios, ribeiras e lagos, redes de saneamento em todas as zonas populacionais, mais água potável, são algumas das principais necessidades que têm uma importância fundamental na melhoria da qualidade de vida das pessoas mas também para um consumo de produtos naturais com mais garantias para a saúde.
A biodiversidade – a teia da vida na terra – é essencial para a qualidade da existência e bem-estar da humanidade e constitui um elemento crucial na sustentabilidade da dimensão social, económica e espiritual em qualquer sociedade do mundo.
A protecção de áreas de floresta integradas na conservação da natureza é um exemplo tanto pelo contributo no combate ao aquecimento global como pela retenção da diversidade biológica.
Na célebre cimeira de Quioto, a tal que não teve a aprovação dos americanos e do Governo de Bush para que fossem tomadas medidas à escala mundial com o objectivo de diminuir a poluição do planeta, reduzindo-se a emissão de monóxido de carbono (CO2) para a atmosfera, foi assinado um protocolo que resultou em diversas medidas de defesa do meio ambiente.
Organizações ambientais como a Quercus e a Oikos têm alertado para a degradação do ambiente em Portugal com graves implicações na saúde das comunidades e na necessidade de serem lançadas acções no terreno para diminuir o impacto da poluição e proteger as espécies naturais.
Em Portugal já existem algumas associações vocacionadas para a área da biologia, com a implementação de Parques Biológicos e Estações de Biodiversidade.
O Pai da origem das espécies e o seu contributo para o entendimento da vida na Terra deve-se a Charles Darvwin, o mais célebre investigador e naturista da sua geração (1809-1882), tendo iniciado praticamente a sua adolescência em deambulações pelo campo coleccionando insectos, minerais, rochas, plantas e animais.
Os livros que Darwin escreveu ao longo da sua vida sobre plantas, as trocas de experiencias e as observações na sua propriedade em Down, foram de importância vital para o estudo das espécies e para o seu aproveitamento em termos biológicos e da saúde nos dias de hoje!
Existem em Portugal alguns Parques biológicos e botânicos, nomeadamente: Parque Botânico do Outeiro do Cornalhão em Crestuma, Parque da Quinta dos Castelos em Santa Marinha e O Parque Biológico, de Gaia.
Reservas Naturais como a do Estuário do Douro e do Tejo e os Parques do Paul da Tornada em Caldas da Rainha e os Parques das Dunas em Cantanhede, Aguda, Lavandeira e o Geo Parque de Arouca, são algumas das áreas protegidas.
Um melhor ambiente, uma atmosfera menos poluída, uma diminuição da emissão de gases CO2, mais energias renováveis e eólicas são factores importantes para um melhor bem estar das populações de todo o Mundo!
É preciso combater a degradação da qualidade do ar, evitar a exposição humana e dos ecossistemas a substâncias tóxicas, a deterioração da camada de ozono estratosférico e as alterações climáticas.
O Homem deve ser o maior Amigo da Natureza e por isso contribuir para que as gerações futuras possam encontrar um Planeta mais limpo, menos poluido, mais saudável e com melhor qualidade de Vida!
Ambiente Saudável é mais Vida!
Edgar de Carvalho
LEIRIA DOS VELHOS TEMPOS
“O SINALEIRO”
Leiria dos velhos tempos
Das histórias da cidade
De alegrias e sofrimentos
Mas também de muita saudade!
Outros hábitos e tradições
Que agora vou recordar
Um tempo em que as gerações
Andavam mais devagar
É a história dos sinaleiros
Que do alto do seu pedestal
Dirigiam o trânsito
Que passava no local!
Leiria, como na generalidade das cidades portuguesas entre as décadas de 30 a 80 e logo após o inicio da revolução industrial, também foi contagiada com o desenvolvimento económico e social que começou a atrair mais gentes à sua urbe.
Apareceram mais veículos automóveis, com outra comodidade, acabaram as antigas charretes e carroças puxadas por mulas e os velhos hábitos de lazer e calma que percorriam a cidade foram sendo alterados com um maior fluxo automóvel que era preciso controlar e regular!
Foi assim que surgiram os primeiros sinaleiros, polícias especializados para regular o tráfego nas principais artérias, cruzamentos ou largos onde desembocavam as ruas de maior movimento!
Com gestos bem sincronizados, luvas e capacetes brancos, no alto das tradicionais peanhas de madeira pintadas com riscas brancas e vermelhas os agentes sinaleiros orientavam o trânsito, ora fazendo sinais para parar ou avançar! Nas estações de Inverno e de Verão era hábito colocarem nessas peanhas chapéus largos (como os usados nas esplanadas) para proteger os sinaleiros da chuva ou do sol!
Uma curiosidade era o “Natal do Sinaleiro” e que consistia na colocação de um pequeno pinheiro junto a cada peanha, onde os condutores deixavam as suas prendas, como reconhecimento pelo seu trabalho ao longo do ano e contributo para uma melhor segurança rodoviária!
O primeiro serviço de sinaleiro em Leiria iniciou-se em 1930 e prolongou-se até Dezembro de 1980.
Os locais mais movimentados tiveram durante várias décadas agentes sinaleiros a orientar o trânsito em Leiria, como no cruzamento da Portela (junto à Câmara Municipal), no Largo Marechal Gomes da Costa (centro histórico), onde desembocavam seis ruas, no cruzamento da Av.dos Combatentes da Grande Guerra com a rua Dr. Correia Mateus e o mais concorrido o do Largo Alexandre Herculano (saída da Ponte Afonso Zúquete) em frente ao ex-Teatro D. Maria Pia, actual Fonte Luminosa, onde foi construída em 2008 a “Rotunda do Sinaleiro”.
A partir de 1981, com as alterações introduzidas na circulação viária, criação de rotundas e a implementação das novas tecnologias com a instalação de semáforos nos principais cruzamentos da cidade, Leiria iniciou uma nova era com a substituição do último sinaleiro, personagem simpática e típica para os leirienses, pelos modernos sistemas automáticos de coordenação do trânsito.
Sinais de um tempo que passou mas que se recorda como um contributo humano do sinaleiro, personagem imprescindível na evolução da circulação automóvel até aos dias de hoje!
GRUPO ESCULTÓRICO "CAMPONESAS DO LIS A CAMINHO DO MERCADO"
Autor Anjos Teixeira Filho (1945)
Dia Mundial da Floresta e da Árvore
O Dia da Árvore foi comemorado oficialmente pela primeira vez no Estado norte americano do Nebraska em 1872.
Em 1971 por proposta da Confederação Europeia de Agricultores foi estabelecido o Dia Mundial da Floresta que se passou a comemorar no dia 21 de Março de cada ano.
Defender a Floresta é preservar o ambiente, é melhorar a qualidade de vida e contribuir para tornar o Planeta menos poluído e mais saudável!
A floresta, a árvore, são dos recursos naturais mais importantes na vida dos Povos! Ainda recentemente a tragédia que se abateu sobre a Austrália com um mar de fogos a engolir grande parte do país, a destruir cidades e a matar centenas de pessoas é um exemplo dos perigos cada vez mais fortes do efeito de estufa que se abate sobre as florestas em todo o mundo!
Hoje o Homem tem graves responsabilidades na protecção do Ambiente, não só pela falta de acções preventivas e de combate aos fogos, nomeadamente nas grandes reservas florestais como é o caso da Amazónia, no Brasil, mas permitindo mesmo o abate de longas extensões. As alterações climáticas, os interesses económicos, a falta de limpeza e manutenção das matas e florestas e as queimadas, são factores que têm facilitado o ressurgimento de um maior número de incêndios.
Portugal, um pequeno país com uma enorme tradição florestal, com grandes áreas de eucaliptos, sobreiros e pinheiros, nos últimos anos tem sido palco de um lapidar progressivo das suas riquezas, com enormes prejuízos sociais e económicos. Muitos dos fogos são postos por incendiários que pelos mais variados aspectos colocam o país a arder sem que sejam tomadas as medidas para acabar com estes crimes de destruição da natureza!
Regiões com matas frondosas e serras de grande interesse turístico com paisagens espectaculares, como as Serras do Marão e Gerez, Luso e Buçaco, Sintra e Arrábida e o histórico pinhal de Leiria que se estende ao longo da costa litoral oeste, são das reservas naturais mais ricas de Portugal que é preciso preservar!
A reflorestação das áreas ardidas, para além dos enormes encargos e prejuízos para as populações, demoram muitos anos até atingirem o ponto de crescimento que reponha a floresta como um factor natural de defesa do meio ambiente!
É importante ao assinalar-se mais um Dia Mundial da Floresta e da Árvore, recordar que cabe ao Homem e aos Governos de todo o Mundo, às Associações Ambientalistas, como a Oikos e a Querqus, em Portugal e às populações, tomarem as medidas para que se possa minimizar este flagelo que vai destruindo uma das maiores potencialidades económicas e ambientais do Planeta!
Plantar uma árvore é contribuir para o sequestro do CO2, para melhorar a qualidade de vida ambiental e para a conservação e fortalecimento da biodiversidade!.
Cedro com 130 anos/copa 26,45 m.diametro Buçaco
Edgar Carvalho
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”
(Artº 1º- Declaração Universal dos Direitos Humanos)
Ser mulher é ter direitos iguais numa sociedade desigual!
O Dia Internacional da Mulher que se assinala em 8 de Março, tem um significado especial, já que ele representa a luta das mulheres de todo o mundo pela sua total emancipação.
Neste dia do ano de 1857, as trabalhadoras de uma fábrica de fiação e calçado, na América do Norte na cidade de N. Iorque, vieram para a rua protestar por melhores condições de trabalho e pela redução do horário laboral, tendo sido fortemente reprimidas com uma violenta carga das forças policiais.
Em 1975, em sinal de apreço pela luta das operárias dessa fábrica, símbolo das mulheres de todo o mundo, as Nações Unidas consagraram aquela data como o Dia Internacional da Mulher.
A exploração da Mulher vem dos primórdios da escravatura humana !
Hoje, em pleno século XXI, continuam a existir graves assimetrias entre o Homem e a Mulher, é a chamada escravatura da era moderna.
Estima-se que existam actualmente cerca de 12 milhões de escravos em todo o mundo, dos quais 7 milhões são mulheres sujeitas às mais diversas formas de tortura, de exploração sexual e laboral, vivendo em situações degradantes, sem um tecto e passando fome, nomeadamente em muitos países do continente africano.
Nos países mais desenvolvidos a exploração é mais sofisticada com problemas diversos, como o desemprego, a diferença salarial para iguais tarefas, a responsabilidade das tarefas caseiras e do acompanhamento dos filhos, a violência doméstica, etc.
Neste aniversário de mais um Dia Internacional da Mulher a segregação continua a prevalecer e mesmo nalgumas regiões do Globo, como na Ásia e África é até considerada como uma condição histórica de descriminação social sem direitos iguais ao Homem e sujeita a todo o tipo de violência física e psicológica!
É tempo do Mundo, dos Países mais desenvolvidos, das Potências mais ricas e industrializadas dedicarem a este estigma social e cultural acções conjuntas que levem à integração da Mulher na sociedade com os mesmos direitos do Homem!
Em Portugal as Mulheres representam mais de metade da população!
EM DEFEZA DA PAZ E DOS DIREITOS DA MULHER!
MULHER
A mulher é seiva da vida
É ternura e é amor
É mãe e é trabalho
É lágrima e sacrifício
É caminho e é fulgor
É o símbolo da liberdade
É futuro de confiança
É exemplo de tenacidade
É uma flor de esperança!
SIM PELA EMANCIPAÇÃO TOTAL DA MULHER!!

PRESTO A MINHA HOMENAGEM A TODAS AS MULHERES LUTADORAS!
Edgar de Carvalho
MENU CONTRA A CRISE!
A crise está na ordem do dia !!!
É uma realidade incontroversa com os governos de todo o mundo a tentarem minorar a mais grave “epidemia” económica e social desde a II Guerra Mundial.
As estratégias que estão a ser implementadas, nomeadamente com programas de investimento público, não parecem ser a melhor opção se olharmos para os milhões de desempregados, para as empresas de alta tecnologia com redes em todo o globo a encerrarem e milhares de famílias a viverem abaixo do limiar da pobreza!
Os milhões de euros que o Governo português tem injectado na Banca e os milhões que pretende “investir” em novos empreendimentos, seriam melhor aproveitados se houvesse um plano de apoio à recuperação das PME’s e uma redução dos impostos de primeira linha, como o IRS e IVA, de acordo com a análise de reconhecidos economistas. O executivo de José Sócrates, já está em pré campanha eleitoral e por isso começou a sua corrida por todo o País, com os mesmos argumentos e um discurso falacioso que já não convence ninguém! De promessas está o mundo cheio!
O Governo não controla o desemprego nem tem capacidade para evitar o encerramento das empresas quanto mais para construir aeroportos e auto estradas… se o povo não tem dinheiro como é que vai passear?
Os cidadãos estão preocupados com o presente e não vêem qualquer luz ao fundo do túnel! Esta crise mais parece um folhetim com características de uma qualquer especialidade gastronómica cozinhada ao sabor dos mais poderosos e das grandes fortunas que dominam o País…
Por tudo isto sugiro este menu “À Portuguesa” com os seguintes produtos mediáticos: Entradas – “Apito Dourado”; Sopa - “Operação Furacão”; Prato – “O Buraco do BPN” ; Vinhos – “Casal Felgueiras”;Sobremesas – “Novela Casa Pia”; Aperitivos – “Freeport”!
Uma refeição com todos estes ingredientes é a melhor das dietas para quem sofre de indisposição política e anda com azia à corrupção que se agrava sem que o Governo tome quaisquer medidas para a combater!
Esta por certo não é a ementa democrática que o Povo deseja! Vivemos hoje uma democracia que não permite aos partidos da oposição, acorrentados às suas propostas, apresentarem alternativas porque não podem transpor a barreira da teimosia e prepotência do actual Governo de maioria absoluta! E quando a crise impõe as suas leis e o Governo se fecha cada vez mais e se isola da sociedade que o elegeu é natural, mas preocupante, que os portugueses se divorciem deste tipo de governação!
Edgar de Carvalho
MIGUEL TORGA E A CIDADE DE LEIRIA
Miguel Torga nasceu em 1907, numa pequena aldeia em S. Martinho de Anta, concelho de Sabrosa (Vila Real), Trás-os-Montes e faleceu em Coimbra em 1995.
Miguel Torga ficou para a história como um dos vultos mais importantes da literatura portuguesa, com o seu estilo inconfundível, tendo deixado uma vasta produção literária desde Diários, Ensaios, Contos, Poesia até aos Romances e recebido ao longo da sua vida vários prémios e homenagens.
Miguel Torga teve um percurso difícil. Filho de camponeses pobres, terminou a 4ªclasse com distinção.
Esteve um ano no Seminário em Lamego, onde lhe foram reconhecidos talentos de escrita fora do comum. Aos 13 anos, em 1920, seus tios levaram-no até ao Brasil e por lá ficou a trabalhar na Fazenda, em Santa Cruz, Estado de Minas Gerais.
Reconhecendo no sobrinho qualidades e grandes capacidades para além do trabalho nos campos, o tio pagou-lhe os estudos e Adolfo Correia da Rocha, nome de baptismo, regressou a Portugal e foi estudar para Coimbra, tendo entrado na Faculdade de Medicina em 1925.
A sua veia poética traduziu-se no seu primeiro livro de versos, enquanto estudante intitulado “Ansiedade” publicado em 1929.
Ainda no curso de medicina iniciou uma relação de amizade através da revista “Presença” tendo colaborado com escritores como José Régio, Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões, Edmundo Bettencourt, entre outros.
Acabada a licenciatura em Medicina, com 24 anos, foi exercer Clínica Geral para Miranda do Corvo, mas cedo se radicou em Coimbra.
Em 1934 usa pela primeira vez o pseudónimo “Miguel Torga” com o qual assinaria toda a sua Obra. “A Terceira Voz” marcou essa identificação.
Em 1939 abriu um pequeno consultório de clínica geral em Leiria, na actual Rua João de Deus, um pequeno troço que desemboca no chamado “Terreiro”.
A cidade do Lis sempre o encantou! Nos dois anos em que ali exerceu medicina partilhou a sua veia de escritor nas horas vagas com as consultas que ia fazendo aos seus doentes. Aos fins-de-semana regressava à sua terra de adopção Coimbra, onde se encontrava com professores e intelectuais como Paulo Quintela, Vitorino Nemésio, etc.
Em Leiria, onde permaneceu até 1941, continuou a escrever algumas das suas obras, como “O Quarto Dia da Criação do Mundo” e aquela que viria a ter mais edições “Os Bichos”.
Apesar da sua fugaz passagem por Leiria a sua vida pessoal viria a ficar marcada, quando a PIDE ali o prendeu. Miguel Torga esteve três meses encarcerado no Aljube, supostamente por ter escrito um texto sobre a Guerra Civil em Espanha que não agradou aos esbirros da ditadura de Salazar!
Em 1941, por causa das dificuldades com as impressões nas tipografias locais, regressou definitivamente a Coimbra e abriu um consultório no Largo da Portagem.
Iniciou o que viria a ser o “Diário” e em 1993 publicou o 16º e último volume.
Em 1954 recusou um prémio literária atribuído por ocasião das comemorações do centenário de Almeida Garrett.
Recebeu muitos outros prémios e homenagens ao longo da sua carreira personalizada numa invulgar estética de poeta e escritor como “Prémio Diário de Noticias/1969”, Prémio Internacional de Poesia das Bienais de Knokke-Heist/1976”, “Prémio Camões/1990” e “Prémio Crítica/1993”, entre outros.
Da sua vasta produção literária destacam-se obras como “Ansiedade” (1º livro de poesia), “Pão Azimo” (1º livro em prosa), “Os Bichos”, “Mar",Terra Firme”, “Vindima”, “Contos da Montanha”, “O Quarto Dia da Criação do Mundo” e “O Senhor Ventura” a par de muitos outros escritos, versos, romances e ensaios.
Miguel Torga faleceu em Coimbra em 1995.
CASA ONDE NASCEU O ESCRITOR MIGUEL TORGA
Edgar de Carvalho
NATAL É SEMPRE NATAL!
Crise mundial! Fome, guerras, conflitos multi-raciais, problemas ambientais à escala global! Etnias em sangrentos confrontos religiosos! Catástrofes, inundações, terramotos, tufões, ciclones e milhares de vitimas por todo o Planeta!
A actual conjuntura social económica e financeira que se vai abatendo em alterosas vagas que a pouco e pouco inundam os Países menos desenvolvidos e estão a desmoronar o edifício do capitalismo com particular incidência nas maiores potências mundiais, pode vir a provocar um caos humanitário difícil de estancar!
Mas apesar desta imagem preocupante que está a alastrar-se afectando milhões de pessoas do Pólo Norte ao Pólo Sul, o Homem continuam ciclicamente, ano após ano, a respeitar uma tradição cristã de mais de dois mil anos, celebrando em 25 de Dezembro o NATAL!
Época festiva na qual as pessoas tentam por uns dias fazer “esquecer” os seus problemas pessoais, profissionais ou sociais, e extroverter um pouco dos seus sentimentos, tornando-a num espaço de solidariedade e de amizade. Convívios familiares ou de amigos transformam esta Quadra num espaço de menos tristeza e de alguma esperança num futuro mais promissor!
É uma tradição cristã que se estende a outras religiões, com especial significado entre os católicos, que a festejam com grande pompa desde a confecção de bonitos presépios até às Missas de Natal.
Neste período acontecem acções de grande ajuda ao próximo, como a recolha de bens alimentares, distribuídos por Instituições Humanitárias que os fazem chegar às famílias mais necessitadas, proporcionando-lhes algum conforto físico e moral!
As comemorações de Natal, de um modo ou de outro, são sentidas entre os Povos como um incentivo à aproximação dos seres humanos e uma forma de minimizar as complexas divergências ideológicas e religiosas que continuam a marcar negativamente o Mundo dos nossos dias!
É nesta conjuntura e num quadro de enormes e perigosas convulsões sociais resultantes da crise que se abateu sobre as populações do Globo, que este Natal de 2008 vai ser também um Natal diferente para muitos portugueses! Um Natal de alguma reflexão, mas também um Natal em que provavelmente, muitos de nós, mesmo os menos crentes ou os ateus, vão participar com um sentimento de maior intimidade familiar e tentar ajudar à reconciliação da Humanidade!
O Natal, para além de ser um símbolo de Harmonia entre os Povos católicos é uma tradição na qual a representação do nascimento do Menino Jesus é um exemplo para que os Homens possam alcançar a liberdade e viver um futuro com melhor bem-estar e de Paz, onde as Guerras não tenham mais lugar!
O Natal é tradição nos quatro cantos do mundo!
Desde a Lapónia, no Pólo Norte, com o Pai Natal a levar as prendas no seu trenó deslizando na neve puxado pelas renas, até ao hemisfério sul, com as prendas no sapatinho ou ao redor da árvore de natal e às feéricas iluminações um pouco por toda a parte, todos nós recordamos a nossa meninice e retornamos um pouco à criança que também fomos para nos juntarmos aos nossos filhos e netos num ambiente de alegria!
Como diz o poema “Natal é tempo de Amor! Todo o Mundo é igual”
Natal é viver a alegria num outro mundo de magia, onde as crianças possam construir com os seus sonhos um castelo de estrelas que não seja só fantasia mas também o desejo de um futuro mais feliz e mais próspero para TODOS!!!
FELIZ NATAL COM PAZ E AMOR

Edgar Carvalho
Edgar Carvalho
PORTUGAL SEM FUTEBOL
É COMO UM JARDIM SEM FLORES?
O que vai ser deste país sem futebol neste verão de 2008?
Como vão viver os portugueses sem os seus ídolos?
É triste ver o sofrimento estampado no rosto de milhares de fãs do futebol, sem terem agora com quem discutir as tácticas ou as substituições do mister Scolari, o tal Filipão que já foi de malas bem recheadas de libras para Inglaterra!
O que vão fazer agora esses jovens fanáticos da bola, sem motivos para descarregarem as suas bebedeiras nas ruas e esplanadas e para descambarem em correrias nos seus carros pondo em perigo a vida dos cidadãos?
Tenho pena deste meu Portugal, porque a tal “selecção de todos nós” se transformou no filão só de alguns, num país a sofrer a maior crise económica e social dos últimos trinta anos!
Mas há males que vêm por bem!
Ainda assim foi bom a rapaziada ser corrida do Euro mais cedo do que os “adivinhos” profetizavam!
O Scolari já tem mais tempo para escrever o seu livro “ Eu é que sou o burro?”.
O Cristiano Ronaldo já pode procurar outro clube para ganhar mais algum que o ajude a comprar outra casita, a alimentar a família e a sustentar mais umas “gajas”! Quanto ao Ricardo, vai puder tirar um curso por correspondência: “Os frangos também se abatem”.
Os restantes jogadores, cansados de tanto trabalho, emigraram com as famílias e refugiaram-se no Algarve!
Quanto ao “Povão”, esse que tranquila e ingenuamente alimenta o futebol, vai agora ter tempo para pensar nos seus problemas e qual será o seu futuro nesta sociedade…
Somos um País de contrastes gritantes! Com a tal mania das grandezas que herdámos de D. Afonso Henriques, quando pensou que aliando-se aos espanhóis e derrotando os mouros tomava conta da Península Ibérica… Pois é! Só que nesse tempo ainda o futebol era jogado de outro modo… as bolas eram petardos e os jogadores trepavam aos castelos para conseguirem alguma comida … Hoje é o que se vê!
Meia dúzia de jogadores, empresários quanto baste e toda uma organização de marketing bem oleada movimenta milhões de euros que fazem do futebol a mais poderosa indústria de sempre!
Quanto ao resto, é tempo de todos nós pensarmos que os problemas do País, os nossos, os das nossas famílias, o futuro dos nossos filhos e netos não se resolvem com o futebol e muito menos com esta louca euforia que desabou como um baralho de cartas em poucos minutos!
Temos o Portugal que merecemos, mas também porque não sabemos combater aqueles que se servem do nosso trabalho, do poder e da governação para aproveitando a nossa indiferença e conformismo continuarem a fazer uma política anti-social e a privilegiar uns tantos amigos e lobbies que dominam o país a seu belo prazer!
Essa ideia nova da tal “Taxa Robin dos Bosques” que anda a germinar no iluminado cérebro de Sócrates, só pode ser uma invenção para as próximas eleições…
A não ser que seja para aplicar ao contrário desse “herói” dos tempos das histórias aos quadradinhos da nossa infância… Este Robin dos Bosques da era moderna provavelmente deve ser para tirar mais algum aos pobres e encher os bolsos dos ricos!!!
Heróis, heróis, são os jogadores de futebol! O resto é conversa!!!
Finalmente que o Presidente da República descobriu que “há mais vida e desafios para lá do futebol que agora temos que enfrentar ”! Palavras suas depois do afastamento da Selecção do Euro!!! Vejam lá se a malta era campeã da Europa!!!
Acabava a crise, não havia mais desemprego, os problemas com a saúde e a educação eram resolvidos e as famílias tinham uma vida com mais bem estar e melhor futuro!
Mas então o Presidente esqueceu-se de receber em Belém a Selecção depois de regressar da Suíça? Afinal também tem mau perder!...
É que o nosso Jardim, vai continuar infelizmente por muito mais tempo sem flores!
edgarcarvalho
O GOVERNO SOCRATES VAI DE FÉRIAS!
E OS PORTUGUESES?
“Portugal é o país da União Europeia onde o fosso entre ricos e pobres é maior”.
Esta frase não é de um qualquer cidadão comum.
Esta verdade é de D. Manuel da Silva Martins, primeiro bispo de Setúbal e faz parte de um artigo publicado no “Noticias Magazine” do JN!
Aí está o verão à porta! Pelo que dizem os meteorologistas vai ser um dos mais quentes dos últimos anos! Pelo menos para os portugueses!
Não será pela recessão económica, ou pelas questões ambientais. Nem sequer fruto dos preços dos combustíveis, nem dos cartéis organizados, ou da greve dos maquinistas da CP, dos protestos dos camionistas, ou mesmo da emigração forçada de milhares de portugueses à procura de melhores dias…
Todos sabemos, TODOS, independentemente das nossas convicções políticas ou opções Partidárias, que a crise actual, uma das maiores e mais preocupantes dos últimos vinte anos é fruto das más políticas dos vários Governos, agravadas pelo actual, desde que foi eleito em 2005! A conjuntura internacional não pode ser culpada de todos os males do nosso País!
Hoje fruto de uma gestão neo-liberal, que tem protegido os lobbies instalados e a Banca, que arrecadam milhões de lucros, existem reacções de conflitualidade permanente e enormes bolsas de pobreza e de fome que atravessam a nossa sociedade com a classe média a sofrer as consequências desta política anti-social.
Não é de hoje a falta de incentivos para sectores vitais como a agricultura e as pescas.
O aumento do desemprego, a incapacidade para a colocação dos jovens licenciados no mercado de trabalho e a fuga dos melhores investigadores para o estrangeiro, são alguns dos exemplos do desinteresse do Governo pelo futuro dos portugueses.
Algumas migalhas para os reformados e essa “coisa” do abono para as jovens mães, ou os descontos nas taxas moderadoras para a terceira idade, são meros paliativos para distrair a malta… aguardem pelo início de 2009 e aí teremos mais um pacote de promessas!!! As constantes deslocalizações das grandes multinacionais, sem cumprirem os acordos com o Governo, com milhares de trabalhadores atirados para a miséria familiar são a resposta das políticas anti-laborais do Governo! A sua acção neste campo tem sido ZERO!
Os “passeios” do Primeiro-Ministro à Venezuela e Argélia são apenas “fogachos” !
Os resultados dos acordos internacionais são normalmente em benefício dos grandes empresários que acompanham a comitiva e que mais tarde se apoderam das mais valias e arrecadam os lucros dos contratos firmados!
Agora para compor o ramalhete Portugal votou também a favor na União Europeia para que a semana laboral de trabalho possa ir até às 65 horas … provavelmente com cama incluída! Cada vez mais trabalho para sustentar os vilões!!!
Os portugueses com este panorama não podem ter “Férias”, ou então ficam pertinho de suas casas…enquanto os senhores ministros, esses “fogem” do País e esquecem quem ao longo do ano trabalhou no duro para lhes “sustentar” os vícios e as grandezas.
Mas como nem tudo é mau valha-nos o “São futebol” e o “Santo Euro 2008”!
Sempre andamos distraídos… E já agora apenas alguns números que o Euro movimenta: 1237 milhões de euros nas transmissões televisivas, 530 viaturas para transportar participantes e “amigos”, 10 mil jornalistas, 13 milhões de bilhetes e patrocínios oferecidos pela Carlsberg e 240 milhões de previsível lucro final para a UEFA!!!
Será que Portugal ganha alguma coisinha? Se a Selecção portuguesa vencesse o Euro…
Apesar de tudo tenho esperança que os portugueses pensem bem no presente e no que lhes reserva o ano de 2009! Acreditem que só com outra política económica e social o
País poderá ser mais solidário, com direito à dignidade a que temos direito e um melhor nível de vida para TODOS OS PORTUGUESES!!!
Assim NÂO!
Edgar de Carvalho
AS MEMORIAS DA CIDADE
O CASTELO DE LEIRIA
O castelo de Leiria é sem dúvida o mais emblemático monumento da cidade, um ex-libris que o identifica com a sua história, fazendo parte das memórias de um passado dos tempos das conquistas e das guerras com os mouros desde o reinado do primeiro rei de Portugal D. Afonso Henriques.
Situado num morro, em posição dominante sobre a cidade, na margem esquerda do rio Lis, rodeado pelo velho casario do centro histórico o Castelo é um belo e imponente monumento medieval.
Conquistado aos mouros em 1135 por D. Afonso Henriques, foi reconstruído em 1192, com uma cerca reforçada no reinado de D. Sancho I. Foi seu primeiro alcaide D. Paio Guterres, que tem uma praça com o seu nome na zona histórica da cidade.
Em 1195 depois do último ataque dos muçulmanos o pequeno burgo que vivia dentro das muralhas começou a expandir-se ao redor do Castelo chegando até aos “Castelinhos”, no sopé do monte.
Em 1254, D. Afonso III reúne as primeiras cortes em Leiria e no reinado seguinte, D. Dinis vem residir com a sua família para o Castelo e dá-se então início a um maior desenvolvimento económico e social da população que sentia uma maior protecção.
Por volta do século XV sucederam-se as primeiras feiras medievais a terem lugar na cidade que cresceu ao redor do Castelo, por praças, ruas e vielas.
No início do Séc XIX as tropas francesas provocaram extensos danos na cidade e no Castelo .
No final do século XIX, o arquitecto Ernesto Korrodi, suíço naturalizado português e radicado em Leiria, onde viria a casar e que deixou belas obras da chamada “Arte Nova”, como a “Vila Hortênsia”, o Mercado de Santana, o edifício da Câmara Municipal e o antigo Banco de Portugal, elaborou um projecto de restauro das ruínas do monumento. As obras do Castelo tiveram várias fases e foram concluídas na década de 1980
Defendido externamente por uma barbacã, a cerca é reforçada por torreões de planta quadrangular.
Na cerca exterior incluem-se a Porta do Sol (a sul) onde hoje está a Torre da Sé e a Porta dos Castelinhos (a norte).
No interior do Castelo pode admirar-se o Paço da Alcáçova, designado também pelo Paço da Rainha S. Isabel ou Paço Real, com diversas salas de concepção gótica e uma admirável galeria panorâmica com oito arcos ogivais, apoiados em capiteis duplos, com uma vista soberba sobre a cidade, com realce para o Centro Histórico, a Sé, Praça Rodrigues Lobo, Rio Lis e morro de NªSª da Encarnação.
A sua Torre de Menagem de 17 metros, com um pequeno museu no seu interior e as ruínas da Igreja da Nª Sª da Pena (estilo gótico) os antigos celeiros medievais, hoje oficinas de arqueologia da Câmara Municipal, o Pátio Interior e Porta da Traição são alguns dos locais que merecem uma visita atenta.
O Castelo é rodeado por uma primeira cerca muralhada que leva os visitantes a entrar pela Porta do Sol (junto à Torre Sineira) e a subir por uma rampa que dá acesso à entrada principal do Castelo pela Porta da Albacava (“recolha de gado” em árabe), em arco de volta redonda sob uma torre que funcionou como sineira da Igreja de Nª Sª da Pena.
O Castelo de Leiria tem uma localização privilegiada com uma majestosa paisagem ao redor e está classificado Monumento Património Nacional.
Edgar Carvalho
O PRAZER DA MUSICA!
Há oportunidades que a vida nos proporciona e que se tornam num prazer desejado pela mente, numa atracção mítica que quase sem sabermos como nos arrasta para descobertas de mundos inimagináveis de prazer e de boa disposição! É o caso da Música!
Quase sem saber bem como, dei um dia comigo a subir as escadas duma das colectividades mais antigas da cidade, o Orfeão de Leiria. Ouvi ensaiar o coro da casa. Gostei dos sons, do agradável ambiente e da repousante tranquilidade que envolvia toda aquela atmosfera! Depois sujeitei-me a um pequeno teste de audição, para ver se tinha algum jeito para cantar. Acabei por ser aceite e lá me “incluíram” naquele maravilhoso mundo da música coral onde ainda hoje continuo há mais de três décadas!
Sou amador, com rudimentares conhecimentos musicais, aprendi solfejo e consigo compreender e ler uma pauta de música! Quanto ao resto é o ouvido, a voz e o prazer de cantar em grupo!!!
Tem sido esse amor à música que me leva pelo mundo, graças ao Orfeão de Leiria, uma Instituição de grande prestigio cultural e artístico e que tem no Coral uma das suas vertentes de maior historial e mais representativa de Leiria e da região.
O Coral do Orfeão já participou em inúmeros concertos, a solo ou com outros grupos, em intercâmbios corais, em Festivais de Musica, em Encontros de Musica Coral, incluindo concertos com instrumental e orquestras sinfónicas
A música e as suas diferentes características de evolução cultural através dos tempos, desde a Música da pré-história, à música renascentista, barroca, clássica, moderna e vanguardista, incluindo a popular de raízes tradicionais, marca épocas na História da evolução humana e as suas raízes exercem forte influência no desenvolvimento cultural dos Povos.
É por tudo isto que a música me enche de prazer e é um “passatempo” saudável que ajuda a preencher alguns espaços da minha alma quando por momentos nos sentimos menos felizes!
Através da música somos diferentes do ser que julgamos que somos!!!
Cantar é sentirmo-nos mais felizes connosco e expressar através da música sentimentos de vivência cultural que contribuem para entendermos que os seus sons ajudam a compreender melhor as culturas de outras gentes!
Como disse o grande filósofo Marco Aurélio “É preciso muito pouco para tornar a vida mais feliz”!
E cantar é realmente uma forma simples de irmos ao encontro de quem precisa de ouvir e sentir a música como um meio de nos tornarmos e a tornar mais feliz!
Aprecio todos os tipos de música mas a clássica, de extraordinários compositores como Beethoven. Verdi, Mozart, Schubert, Fauré, entre outros, dão-me um prazer diferente e preenchem o meu ego !
Edgar de Carvalho
POETAS E ESCRITORES DE LEIRIA
(Cap. III)
Revisitei a minha cidade e retornei a um tempo de poetas e escritores. Descobri que afinal Leiria teve um período de grande fulgor cultural e artístico, com grandes vultos que desde 1500 até aos nossos dias se envolveram num espaço de meditação e de sonho espraiando as suas vocações pelo calmo e remansoso Lis, em romances e poemas que merecem ser recordados…
Passarei por aqui algumas dessa figuras, um pouco da sua vida e um pingo do perfume das suas Obras…
Poeta e prosador, nasceu em Leiria em 1579 (!)
Morreu afogado no Tejo em 1621, quando seguia de Lisboa para Santarém.
Era o príncipe dos poetas bucólicos de Portugal. Cantou a cidade!
A estátua da obra “O Pastor Peregrino” que está num recanto do Jardim Luís de Camões, representa nos romances bucólicos a figura pastoril que era o próprio poeta!
Nas suas obras destacam-se as “Éclogas”, “A Corte na Aldeia”, “O Pastor Peregrino”, “A Princesa” e as personagens que criou, Lisea, Lisandra, Lorino, Lucélio, Leontino, Lardénio,etc.
Autor de muitos poemas cantou a cidade de Leiria e os seus rios Lis e Lena. Utilizou o pseudónimo de “Lereno” e da mulher que amou “Juliana Lara” para as personagens que criou nas suas obras.
A Praça Rodrigues Lobo, com o busto do poeta em bronze é a sala de visitas da cidade, no coração do Centro Histórico e é uma homenagem ao poeta leiriense que teve uma curta vida mas um valioso percurso literário.
“Fermoso rio Liz, que entre arvoredos
Ides detendo as águas vagarosas,
Até que umas sobre outras de invejosas
Ficam cobrindo o vão destes penedos (…)
(Francisco Rodrigues Lobo)
AFONSO LOPES VIEIRA
Poeta naturista, cantor das belezas do mar, do pinhal, dos campos e dos animais.
Nasceu em Leiria em 1878, onde morou com os seus pais na Rua da Graça, onde se encontra um busto de bronze, no qual o poeta está debruçado sobre um rochedo contemplando o mar de S. Pedro de Muel. Bacharelado em direito em Coimbra em 1900, passou a sua vida entre Lisboa e a sua “Casa dos Búzios” na Praia de S. Pedro de Muel, hoje transformada em museu!. Foi nesta praia ao som do sussurrar do vento nos pinheirais e da voz das ondas do mar que se espraiavam pela areia até ao sopé da sua casa , que escreveu muitos dos seus poemas e alguns dos seus romances.
O “Naufrago”, “Auto da Sebenta”, “O Pão e as Rosas”, “Ilhas de Bruma”, “Saudação à Rainha Santa”, “O Encoberto”, entre outras obras, marcaram uma época importante na vida do escritor e do poeta.
“Ai flores, ai flores do Pinhal florido
Que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
Que grande saudade, que longo gemido
Ondeia nos ramos, suspira no ar!”
(Do livro “As Ilhas de Bruma”)
ACACIO SAMPAIO DE TELLES E PAIVA
Poeta natural de Leiria, nasceu no Largo da Sé em 1863. Frequentou o Liceu e faleceu em 1944 na Casa das Conchas, no Olival, concelho de Ourém. Diplomado em Farmácia, nunca chegou a exercer nem sequer na “Farmácia Paiva”, dos pais, cujo edifício ainda se encontra com os seus belos azulejos na Largo da Sé, seguindo a carreira de funcionário das Alfandegas.
Tem uma placa afixada na casa onde nasceu com a seguinte inscrição “Acácio de Paiva – Altíssimo lírico e o maior humorista da poesia portuguesa.”
Minha terra velhinha
Assim te quero
Entre as olhalvas frescas, pequenina
Teu Lis saudoso, teu castelo em ruína
Teu ar de monja, tímido e severo
Assim te represento e venero
Te possuo em minh’alma e na retina
Deixei-te cedo, porque é sina
Fugir de quem mais amo e mais espero
(Acácio de Paiva/Versos)
AMERICO CORTEZ PINTO
Poeta e escritor nasceu em Leiria em 1896 e em 1920 completou o curso de Medicina em Coimbra..
Algumas das suas obras: “Leiria”, “Cidade Incunábula do Livro e do Papel”. “Da Imprensa em Portugal às Cruzadas de Além Mar”.
No dia 22 de Maio de 1982, a cidade prestou-lhe merecida homenagem colocando um busto de bronze no Largo com o seu nome na Rua paralela ao Lis, na margem esquerda, junto ao Teatro. O busto tem uma placa com a seguinte inscrição “dr. Américo Cortês Pinto, insigne poeta leiriense 1896-1979”.
JOSE MARQUES DA CRUZ
Poeta e versejador, nasceu em Famalicão, freguesia de Cortes, Leiria em 1888.
Terminou o curso de Direito em Coimbra e emigrou para S. Paulo, Brasil.
A cidade dedicou-lhe uma rua numa das novas urbanizações da Cruz da Areia.
JOSÉ MARIA EÇA DE QUEIROZ
Eça de Queiroz, nasceu na Póvoa de Varzim em 1845 e faleceu em Paris em 1900. Veio para Leiria em 1870, onde morou no nº 13 da Travessa da Tipografia, com um seu parente de apelido Vadre. Como desejava ser Cônsul e precisava de exercer funções de administrador de concelho, uma espécie de estágio dos nossos dias, ficou em Leiria!
De colaboração com o seu amigo Ramalho Ortigão, foi em Leiria que escreveu grande parte do seu primeiro romance “O Mistério da Estrada de Sintra”, publicado em folhetins no “Diário de Notícias”. Entre a sua grande obra literária, como “As Farpas”, “O Primo Basílio”, “A Relíquia”, “Os Maias” e “A Ilustre Casa de Ramires”,
Eça de Queiroz ficou famoso mais tarde ao escrever em Leiria “O Crime do Padre Amaro” (1875), que serviu, já no século XXI para a realização do filme com o mesmo nome. Este romance gerou alguma polémica na época, já que o escritor morava numa rua próximo da casa da célebre Amélia, e ao que se diz a história baseia-se num possível romance de amor entre o escritor e aquela personagem. A história desenvolve-se em torno do crime perpetrado por Amaro e Amélia , envolvendo a filha do tio Esgueira e o sacristão!
CARLOS EUGÉNIO
Poeta e escritor leiriense contemporâneo.
Nasceu em Leiria em 1910 e faleceu em 1981.
Cursou o Liceu de Leiria e frequentou a Faculdade de Medicina de Coimbra.
Colaborou largos anos na Comissão de Turismo da Região de Leiria.
Deixou uma biblioteca com cerca de 10000 livros!
Tem uma rua com o seu nome com início na Rua dos Vasos até à Praceta da Cruz d’Areia, em Leiria.
Aguarela com mágoa
Chove e tudo se encrespou
Na fímbria violeta do longo céu azul
E no leito do rosmaninho do pinhal
Ave com o som, som com a ave
Abriu-se e deu à hora um verde virginal.
Talvez não fosse bem esse cantar
Entre o manto vermelho das papoilas
Talvez não fosse bem o róseo da moiteira
Espalhado na encosta que descia (…)
25 DE ABRIL SEMPRE ! Mais um ano de democracia que Abril comemora! Não pretendo recordar o passado, mas sim viver o presente e saudar a Liberdade e quantos contribuíram para que os portugueses vivam hoje em democracia! Em 1974 o Movimento dos “Capitães de Abril” tendo como foco militar a chamada Guerra do Ultramar, intentaram uma rebelião, sem derramamento de sangue que sob o comando do capitão Salgueiro Maia, teve êxito na madrugada de 25 de Abril e derrubou o Governo ditatorial de Salazar. O Povo encheu as ruas e praças de Portugal e extravasou toda a sua alegria. O País estava finalmente livre de uma ditadura de 48 anos!!! Militares como Salgueiro Maia, Otelo de Carvalho, Melo Antunes, Pezarat Correia, Vítor Alves e Vasco Lourenço, entre outros, restituíram a voz ao Povo! Foram tempos de grande euforia e esperança! Surgiram as primeiras canções de liberdade, poemas com letras de intervenção, algumas que andaram nas bocas dos portugueses e ficaram para sempre gravadas como hinos libertadores. A canção que serviu de senha para que as tropas avançassem sobre Lisboa, foi para o ar à meia noite da madrugada de 25 de Abril no antigo RCP (Rádio Clube Português), pela voz do cantor Paulo de Carvalho intitulada “E depois do Adeus”. “Grândola Vila Morena” foi a mais popular e ficou celebrizada na inconfundível interpretação do saudoso cantor Zeca Afonso! Nos primeiros tempos após o 25 de Abril muitos outros cantores como Carlos Mendes, Fernando Tordo, José Jorge Letria, Francisco Fanhais, Adriano Correia de Oliveira, Vitorino e Janita Salomé e Zeca Afonso, percorreram o país com belos temas e músicas que o povo facilmente cantava e decorava! Muitos dos poemas foram escritos pelo chamado poeta do povo Ary dos Santos. A curiosidade deste ano é vermos nas ludotecas e discotecas CD’s com as músicas de Abril e muitas manifestações marcadas com poemas e canções que evocam a liberdade conquistada em 1974! A democracia, apesar das dificuldades e da recessão económica mundial que está a afectar os portugueses que vivem sem dúvida uma crise financeira e social é o único regime onde o Povo elege os seus representantes por voto directo e secreto! Os portugueses que já nasceram após o 25 de Abril de 1974, os jovens de hoje, as mulheres e homens de amanhã, serão os continuadores desta jovem democracia! Nasci em ditadura e vivo em liberdade!!! Apesar de todos os problemas que sempre existem, apesar das dificuldades presentes, das querelas e opiniões divergentes somos um Povo livre… É como nascer todos os dias e respirar o ar puro dos campos verdejantes e ouvir o chilrear da passarada na Primavera. É recordar os cravos vermelhos, símbolo da nossa identidade como cidadãos livres e independentes! Viva o 25 de Abril!
LEIRIA E OS SEUS MONUMENTOS
(Capítulo II)
Leiria não é uma cidade monumental por excelência mas tem monumentos e edifícios de grande valor arquitectónico que identificam a cidade com um passado rico em história e que vale a pena recordar.
Leiria foi elevada a sede de Diocese e capital de concelho e de distrito no ano de 1545, em 22 de Maio (Dia da cidade), pelo Papa Paulo III.
Igreja Gótica Nª Sª da Pena (Séc.XII)- Situada no interior do Castelo de Leiria, foi a primeira Catedral. Hoje restam as paredes exteriores e parte da capela do Altar Mor.
Igreja de S. Pedro – Situada no sopé do Castelo, foi utilizada pelo Cabido como 2ª Catedral em finais do Séc. XII. É um pequeno edifício românico com um pórtico de grande beleza e um interior de uma só nave. Ao lado localizou-se o Paço Episcopal, actual Quartel da Policia de Segurança Publica (PSP). Foi abandonado ao culto por meados do Séc.XVI e mais tarde serviu de celeiro e teatro. Depois de concluídas as obras de restauro foi aberta ao culto nos anos de 1940. Hoje serve apenas para eventos sociais (baptizados ou casamentos) e pela sua excelente acústica é palco de actividades culturais diversas, como musica coral e instrumental.
Sé Catedral de Leiria – (Séc.XVI) – Construída entre 1550 e 1574, data em que o Cabido se transferiu da Igreja de S. Pedro. Foi seu primeiro bispo D. Frei Gaspar do Casal.
A Catedral foi remodelada entre 1968 e 1974. Apesar de não ter a imponência e a grandeza das grandes catedrais, tem uma beleza e uma riqueza sui generis, característica das catedrais góticas da época, com três imponentes naves. A sua sacristia é digna de uma visita atenta com um bonita tecto de madeira e a capela mor tem algumas pinturas do pintor seiscentista Simão Rodrigues.
Igreja de S. Francisco – Fundada no Séc XII, no antigo Rossio de Santo André. Mais tarde foi transferida para o actual local, no final da Av. Heróis de Angola, por força da muitas inundações e cheias que o Lis provocava. Em 1866 serviu de Cadeia.
A Igreja em estilo neogótico esteve abandonada e fechada largos anos pelo estado de total degradação. Em finais do Sec. XX procedeu-se a uma completa remodelação do seu interior que a transformou num dos mais belos exemplares do seu género. Foram recuperados e restaurados alguns painéis e frescos do séc. XVIII alusivos à vida de S. Francisco. Hoje está aberta ao culto e é palco regular de actividades culturais.
Convento e Igreja de Sto. Agostinho – O Convento e Igreja setecentistas foram construídos com inicio em 1580, na margem esquerda do Lis. A Igreja é de fachada barroca. O Convento depois da revolução de 1910 foi ocupado em grande parte pelo Regimento de Infantaria 7 e noutra ala do edifício, com um belo jardim interior funcionou durante anos o Distrito de Recrutamento e Mobilização Militar (DRM).
Actualmente é utilizado pela Cruz Vermelha Portuguesa , mas futuramente deverá ser transformado no Museu de Arte Sacra da Cidade.
A Igreja de Santo Agostinho está aberta ao culto e também é utilizada para manifestações culturais, como orquestras e coros. Nas traseiras, tem um bonito parque relvado junto à margem esquerda do Rio Lis.
Igreja da Misericórdia – Fundada no Séc. XII e reconstruída após o terramoto de 1755, está localizada numa das doze ruas que dão acesso à Praça Rodrigues Lobo, e tem o seu nome, no coração do Centro Histórico.
A Igreja pertencia à Irmandade da Misericórdia e foi construída no lugar onde existia a sinagoga da antiga judiaria.
É um templo setecentista e durante anos foi local de culto. No princípio do Séc.XXI a Igreja atingiu um estado de grande degradação, com infiltração de água nos seus tectos e depois de servir de Casa Mortuária (velório), foi encerrada pela Paróquia da Sé.
Pelas características da Igreja, pela qualidade e valor do seu interior, pela localização e excelente acústica deve ser recuperada e aberta à população para que possa usufruir de uma verdadeira casa de cultura.
Santuário de NªSª Encarnação – É o mais típico santuário de Leiria, não só pela sua excelente localização no alto do morro da Sra. da Encarnação, com uma paisagem espectacular sobre a cidade, mas pela sua própria beleza exterior e interior.
NªSª da Encarnação é a padroeira da cidade e os festejos anuais em sua honra celebram-se em 15 de Agosto.
Iniciada a construção no Séc XV, é servida por uma monumental escadaria de 162 degraus. Exteriormente tem uma galilé de 12 arcos. O seu interior é decorado com belos azulejos seiscentistas e um conjunto de telas do fim do séc. XVII.
Tem um excelente órgão, transferido da Sé Catedral e para além de estar aberta ao culto ali se realizam diversos eventos culturais e sociais.
Convento e Igreja da Portela (Franciscanos) – Conjunto revivalista e neoromânico foi construído no inicio do Séc. XIX e situa-se próximo da Câmara Municipal de Leiria.
Foi convento e Seminário da Ordem Franciscana. Parte do edificio foi cedido em 1920 para aí se instalar a Escola Secundária Domingos Sequeira e o Asilo Distrital. A Torre foi restaurada no final do século XX. Hoje o Seminário está desactivado.
A sua enorme Igreja é local de culto e também pelas excelentes condições, é utilizada para manifestações culturais e regularmente é incluída nas programações dos festivais de musica da cidade.
Conventos, Igrejas e Capelas Extintas
Convento das Freiras de Ana – Situava-se na actual área do Mercado de Santana e foi construído nos finais do século XV.
Ermida NªSª dos Anjos – Estava localizada no lugar do actual Hospital D. Manuel de Aguiar.
Ermida Nª Sª da Paz – Situava-se no cimo da actual Rua da Paz, no Centro Histórico da cidade.
Ermida Sto. António do Carrascal – Situava-se no Monte com o mesmo nome, junto ao actual cemitério de Leiria.
Capela de S. Miguel - Pequena ermida localizada no alto do monte com o mesmo nome, na margem direita do Lis.
Convento dos Capuchos – (século XVII) Foi adaptado a Hospital Militar no século XIX e a sua Igreja, única parte do edifício que está ainda de pé, em completo abandono deverá ser restaurada logo que o Ministério da Defesa estabeleça o acordo de transferência para o Município de Leiria. O Convento situava-se no morro onde hoje está o Bairro dos Capuchos, um dos maiores núcleos habitacionais da cidade.
Edgar Carvalho
LEIRIA
Mais de oito séculos de História
(Capitulo I)
A cidade de Leiria tem uma privilegiada situação geográfica, na chamada região localizada no Pinhal da Beira Litoral, entre o mar e a serra!
São mais de oito séculos de História!
Não se sabe bem a origem do nome de Leiria, mas uma das teses mais viáveis considera que o vocábulo deriva dos nomes de Lis e Lena do substantivo grego “leirion” que significa lírio ou lis, coincidente com o nome do rio da cidade…
A sua fundação data de 1135 quando D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal conquistou o Castelo aos mouros onde se fixava um pequeno povoado.
Foi seu primeiro alcaide D. Paio Guterres, que deu o nome a uma das praças da cidade e o último, D. Gonçalo Alardo Lencastre em 1835.
Ao redor do velho Castelo cuja construção se iniciou no Inverno de 1135 existe hoje a chamada cidade antiga, agora o seu Centro Histórico com os tradicionais becos e vielas e antigas ruas medievais…Foi no reinado de D. Sancho I que a povoação começou a sair das muralhas e iniciou-se o povoamento no sopé do Castelo que se alargou até aos chamados Castelinhos.
As primeiras cortes em Leiria tiveram lugar no reinado de D. Afonso III e com o rei D. Dinis o Castelo tornou-se residência da família real expandindo-se o povoado para os campos do vale do Lis .
Já no século XIV a cidade tomou outro desenvolvimento e surgiram as primeiras habitações com ruas e praças quatrocentistas.
No início do século XV são famosas as primeiras feiras medievais que atraem muita gente de fora e que se começa a fixar um pouco pelo Centro Histórico e baixa da povoação.
É construída a primeira fábrica de papel do reino no Séc. XVI e nasce o primeiro templo católico, a Igreja da Misericórdia, na actual rua com o mesmo nome. Também nessa época é construído o Paço dos Marqueses de Vila Real, na Praça Rodrigues Lobo e a Sé Catedral.
Em 1545 Leiria foi elevada a cidade, capital de distrito e sede de bispado pelo Papa Paulo III. A cidade começa então a estender-se! Na actual Praça Rodrigues Lobo nasceria o que será o primeiro centro comercial que substituiu a Igreja de S. Martinho, destruída no Séc. XIV.
Até 1910, a Câmara Municipal, a Cadeia e o Tribunal estiveram instaladas na Praça Rodrigues Lobo, nome que derivou do poeta Rodrigues Lobo frequentador assíduo do Palácio dos Marqueses de Vila Real.
Leiria, ao longo dos séculos foi construindo os seus monumentos, teve grandes vultos e figuras que ficaram na história da sua vida cultural e é uma cidade projectada para o futuro!
Em próximo capítulo falarei de alguns monumentos, mas também dos poetas e escritores que viveram nesta bonita cidade do Lis!!!
fragasdolis